Todo mundo já falou da censura que Cássio Cunha Lima quis causar com suas emendas na minirreforma eleitoral, que criminalizam comentários nas redes sociais. Isso não é novidade.
Mas talvez continue aqui, remoendo o juízo da imprensa, amordaçando a opinião pública e cerceando cidadãos e cidadãs de comentários que sejam “inoportunos” ou “desconfortáveis”. E isso, também não seria novidade.
Se juntarmos as peças a dúvida paira no ar: por que alguém que tenha um relacionamento tão bom com seu público nas redes sociais durante o período que julga “conveniente”, de uma hora pra outra, decide empurrar uma emenda permeada de cinismo diante do congresso, cerceando o tal público, que ele se relacionava bem com ele?
As respostas se espalharam por postagens rede a fora. A opinião pública se levantou e mostrou que a internet – ainda ela – é um espaço aberto, disposto a defender suas posições e manter sua livre expressão! Como criminalizar uma opinião num ambiente virtual ajudaria nas eleições? Como equiparar uma posição política a um crime sexual, julgados numa mesma medida de crimes virtuais?
Então, veio a justificativa. Pela mesma rede que ele quer calar, o senador falou. Esclareceu que o que ele quer combater, segundo sua própria versão, trata da contratação de empresas para serviços durante o período eleitoral.
Se quisesse mesmo transformar as eleições num processo limpo e respeitável, teria votado a favor de uma reforma política estruturante, e teria feito ainda mais: votado pelo financiamento público de campanha, e daria um basta definitivo no dedo das empresas nas eleições brasileiras.
Isso ele não quer. Nem a ele interessa. O que ele quer mesmo é gorjear. Típico das aves. Típico do tucano.


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