quarta-feira, 20 de novembro de 2013

PSB rebate ministra de Dilma e diz que 'ainda tem muito a fazer'

Apesar das frequentes críticas do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ao governo da presidente Dilma Rousseff, o PSB nega que esteja em curso uma radicalização do discurso do partido em torno da gestão da petista. Segundo o líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg, as últimas declarações feitas pelo pré-candidato ao Planalto refletem “um diálogo franco e compartilhado por muitos”.

Apesar de negar o aumento na temperatura política, o parlamentar rebateu, em entrevista ao Pernambuco 247, o questionamento feito pela ministra chefa da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, sobre o “que ele (Campos) reserva para o povo”, caso venha a concorrer em 2014. “Para o povo, no governo Campos, haverá crescimento econômico, controle da inflação, geração de emprego e diálogo com a sociedade, temas que andam raros em Brasília e no Brasil”, responde Rollemberg.

Apesar da acidez da resposta endereçada à ministra, Rollemberg diz que as críticas de Campos são feitas com base em fatos concretos. “É a opinião que ele tem que dar quando achar necessário. É um diálogo franco e compartilhado por muitos. Se as coisas estivessem tão bem como dizem não haveria essa preocupação com a economia, com a falta de diálogo, mudanças de regras, entre outras coisas. Campos disse frases contundentes para tratar de temas contundentes”, ressaltou o líder do PSB no Senado.

Desde que se colocou como potencial candidato à Presidência da República, o socialista vem aumentando paulatinamente o teor das críticas contra o governo federal. Com a saída da legenda da base de apoio de Dilma, as ponderações ficaram mais ácidas e elevaram a temperatura entre o PT e o PSB, que durante décadas mantiveram uma aliança histórica.

A movimentação do socialista em busca de apoio para sua postulação também tem incomodado setores do governo. A entrada da ex-senadora Marina Silva no PSB, cotada para ser a vice na chapa de Campos, não foi bem digerida pelo PT em função do capital eleitoral da ex-verde, que nas últimas eleições presidenciais alcançou o patamar de quase 20 milhões de votos. Nas pesquisas, é ela também quem mais se aproxima de Dilma Rousseff nas intenções de voto.

Rusga com agronegócio

O socialista vem se movimentando ainda para reconquistar a confiança do setor do agronegócio em torno de suas ideias. Isso depois de Marina levar ao rompimento a aliança que estava sendo traçada junto ao setor, através do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), com quem ela teve dura discussão. Nesta linha, o governador tem feito encontros constantes com lideranças e empresários do setor, a última delas realizada no início desta semana em São Paulo.

Ao mesmo tempo, o presidente nacional do PSB também tem amealhado simpatia de outros segmentos que são extremamente caros ao PT. Estão incluídos aí setores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e as centrais de trabalhadores, como a Força Sindical, conforme já explicitado pelo deputado e sindicalista da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SDD-SP).

Além disso, vem sendo intensificados os contatos com o setor empresarial, onde alguns segmentos são simpáticos à sua potencial candidatura. Neste ponto, Marina também possui certa penetração em áreas que veem com bons olhos o mote da sustentabilidade ser empregado como um diferencial econômico e social.

Apesar de o PSB negar que haja uma radicalização no que diz respeito às críticas e na busca de apoio em torno do projeto socialista visando o Planalto em 2014, a sinalização é clara diante das declarações cada vez mais contundentes e da movimentação feita pelo candidato socialista. Se a radicalização do discurso ainda não está ocorrendo, ela é esperada para acontecer em breve.

Com PE247

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