A desistência dos clubes de Patos em participarem do Campeonato Paraibano de Futebol em 2014 é a prova cabal do quanto a desorganização, falta de planejamento e intransigência na gerência do futebol prejudicam o desenvolvimento e a profissionalização do esporte no território nacional. É também a constatação da imortal máxima de que “a corda se rompe sempre no lado mais fraco”,
A partir de uma
competição organizada pela Federação Internacional de Futebol (FIFA), realizado
num período conveniente ao Futebol Europeu e as redes de televisão detentoras
dos direitos de transmissão, todo Calendário de competições nacionais (que já é
inchado e desorganizado) teve que se adequar a imposição da imperial Entidade. A
consequência, por mais absurda que seja, não chega a ser imprevisível
competições inchadas, apertadas, remendadas e de baixíssimo nível.
O amadorismo
começa na Comembol (Confederação de Futebol Sulamericano), que irá fatiar a
Taça Libertadores com a reta final realizando-se após a Copa do Mundo, já a
insossa Sul-americana terá início apenas no meio do segundo semestre. Em
seguida vem a CBF divulgar o Calendário Nacional e entre tantos absurdos
determina o período de 12/01 a
13/04 para a realização dos fatídicos campeonatos estaduais, causando imenso
furor no meio futebolístico uma vez que praticamente suprime o período de
preparação dos grandes clubes para as competições de toda temporada.
Muito foi discutido nas mesas redondas dos
principais canais de TV brasileiros, um coletivo de renomados jogadores autoproclamados
“Bom Senso Futebol Clube” se mobilizou denunciando a situação de risco a que os
jogadores se submeterão entre outras tantas questões anômalas pelas quais passa
o futebol tupiniquim. Após muita discussão e disse-me-disse numa reunião
mediada pela Rede Globo, dona do (direito de transmissão) futebol brasileiro,
tudo ficou resolvido. Só pra variar, muitas promessa de que em 2015 tudo será
diferente e todos serão felizes.
Bem, só esqueceram de avisar a Federação Paraibana
de Futebol. Alheia a todo o debate nacional sobre os problemas com preparação e
condicionamento dos atletas, e seguindo rigorosamente os (maus) exemplos das
Federações Continental e Nacional, a FPF resolve estabelecer um campeonato que determina
que uma equipe tenha até três jogos por semana, um absurdo até mesmo para um
clube de relevante estrutura o que dirá para a maior parte dos times paraibanos
que se sustentam de míseros patrocínios privados, bilheteria nos estádios
decadente e incentivo público insuficiente. E o motivo de tal disparate é apenas
para conveniência das equipes que disputam a Copa do Nordeste, Copa do Brasil e
Campeonato Brasileiro.
"Ora, mas porque prejudicar pequenas equipes que tem o Campeonato Paraibano como única competição, para favorecer as equipes que tem calendário para o ano todo? Com a resposta a FPF?"
Trocando em miúdos: O Campeonato paraibano em sua composição original é formado por 10 clubes, turno e returno, jogos de ida e volta, semifinais e finais. Numa temporada normal com todas as datas disponíveis para realização do mesmo, tal formato já tem demonstrado ser demasiado longo tornando-se cansativo, monótono e sem emoção por mais da metade do certame. Mas como neste ano haverá 45 dias a menos no calendário, o Paraibano é no melhor dos casos uma aberração. Todos os Estados tem feito adaptações, o melhor exemplo é o Rio de Janeiro que este ano terá apenas um turno, além de São Paulo que modificou totalmente o formato. Por que não na Paraíba?
A decisão dos clubes de Patos de não participarem
como todo tema polêmico há pelo menos dois lados. Certamente para boa parte da população
patoense apaixonada por futebol o caminho poderia ser outro, utilizar atletas
da base, ter uma temporada centrada na austeridade e preparação para os
próximos anos, etc. Outros recordarão que estes fatos recentes se somam a
vários acontecimentos que coincidentemente só favorecem os times do eixo João
Pessoa-Campina Grande, inclusive no quesito arbitragem.
O que é unânime e indiscutível é a coragem que os
clubes tiveram ao decidir pelo abandono. A velada denúncia que o futebol da
Paraíba é feito para alguns em detrimento de outros tem de servir para abrir os
olhos de outras equipes que tal como Nacional e Esporte tem historicamente sido
preterido pelas instâncias superiores. A questão não é apenas participar do
campeonato, é sempre ter de baixar a cabeça para o que vem de cima, sempre se
adaptar a conveniência do outro e mais especificamente para Nacional e Esporte
entrar num negócio que o prejuízo é certo no curto e longo prazo, pois
além de não haver condições de manter um time sequer abaixo do nível regular, o
risco de descenso seria evidente.
Para concluir,
levantamos duas questões que não estão claras em consequência da desistência de
Esporte e Nacional de participarem da 1ª divisão do Campeonato Paraibano de
Futebol:
1.
Já que duas equipes abandonaram o torneio, como
será a forma do mesmo este ano?
2.
Como prevê o regulamento Esporte e Nacional
deverão disputar a 2ª divisão. De 2014 ou 2015?
A primeira
questão foi pretensamente resolvida pela FPF uma vez que foi divulgada a tabela
do Campeonato Paraibano com 8 equipes. Ora, mas se há uma segunda divisão deste
campeonato, significa dizer que há suplentes “qualificados” para ocuparem as
vagas desocupadas. A FPF pretender fazer um agrado as demais equipes extinguindo
o rebaixamento este ano, ou menos equipes acabou sendo conveniente para enxugar
o número de rodadas do campeonato?
Quanto a
segunda questão é um enigma que ainda não ficou sinalizado como será
solucionado. É importante frisar que os clubes de Patos oficializaram sua
decisão de se retirar da competição via documento, com exposição de
justificativa e dentro dos prazos exigidos pelo regulamento, acrescentando que
a razão que os motivaram a tal decisão é reflexo de uma situação não causada
pelos mesmos. E assim qualquer medida punitiva a tais clubes tem que ser o mais
moderado possível visto que ambos e seus respectivos torcedores, são os mais
prejudicados com tudo que ocorreu. Defendemos que o Nacional e Esporte disputem
a Segunda divisão do Campeonato Paraibano de Futebol em 2014 a fim de terem
oportunidade de recuperar a posição perdida.
Já que muito se
promete em termos de organização no Calendário futebolístico em 2015 que estes
ânimos possam contagiar os gestores do futebol na Paraíba a trabalhar por um Campeonato
mais organizado, de alto nível e representado nas principais praças do Estado, e
a cidade Patos não pode ser excluída.
Jornalista Messias Almeida
Jornalista Messias Almeida
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