Poderia ser mais um texto clichê falando sobre mobilidade urbana, mas decidi ilustrar essas linhas com um ícone conhecido no fluxo do trânsito pessoense. Diria até um ícone paraibano: sobre o viaduto do Cristo Redentor se vai a BR 230, e carros de muitas outras localidades transitam por este monumento à estupidez humana.
O problema do trânsito e da mobilidade na capital é histórico, e independente de qual gestão tenha se desenvolvido, o tal bloco de concreto e suas vias sob pilares sempre se mostrou frustrante em seu propósito. Virou chacota e motivo de risos quando caiu no imaginário popular a figura de uma obra que desmanchava se chovesse. Só mesmo a alegoria de um comprimido pra fazer passar a azia da população.
Agora constatamos o óbvio (que a quantidade de carros aumentou na cidade, oras!) e a SEMOB resolve realizar uma “repaginada” no monumento à imobilidade. Claro, como é local de muitos acidentes por seu projeto já mal executado anteriormente, necessita de uma adequação ao novo contingente de veículos que a cidade possui, além da tentativa de diminuir os acidentes.
Ledo engano: vamos entupi-lo de mais retornos, mais alças e mais faixas até que ele se torne tão confuso e emaranhado quanto um laço de fita! O que vinha pra melhorar, pode não ter surtido efeito, e até me arrisco dizer: foi um fiasco. Piorou e confundiu ainda mais um trecho já confuso.
Qual a solução? Ciclovias (Novamente, nos deparamos com o óbvio). E não só aos domingos, nem só nas primeiras horas da manhã: deve se tornar uma política de transporte que garanta a sustentabilidade que a capital tanta almeja, desde que entrou no Programa Cidades Sustentáveis. A bicicleta deve ser elevada a um papel de meio de transporte, e não ser subutilizada apenas como instrumento de lazer, como tem sido difundido pela prefeitura.
Mas enquanto ninguém promove a bicicleta à melhor amiga do transporte, fiquemos com nosso presente, nosso querido viaduto do Cristo Redentor: gostaram do laço de fita?
João Jales tem 29 anos, é redator, blogueiro, social media, produtor e estuda Comunicação na UFPB. Pessoense e raposeiro, consegue ser politizado sem ser politiqueiro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário