sábado, 30 de novembro de 2013

OPINIÃO: Do Sonrisal ao Laço de fita: a odisseia de um viaduto

Poderia ser mais um texto clichê falando sobre mobilidade urbana, mas decidi ilustrar essas linhas com um ícone conhecido no fluxo do trânsito pessoense. Diria até um ícone paraibano: sobre o viaduto do Cristo Redentor se vai a BR 230, e carros de muitas outras localidades transitam por este monumento à estupidez humana.

O problema do trânsito e da mobilidade na capital é histórico, e independente de qual gestão tenha se desenvolvido, o tal bloco de concreto e suas vias sob pilares sempre se mostrou frustrante em seu propósito. Virou chacota e motivo de risos quando caiu no imaginário popular a figura de uma obra que desmanchava se chovesse. Só mesmo a alegoria de um comprimido pra fazer passar a azia da população.

Agora constatamos o óbvio (que a quantidade de carros aumentou na cidade, oras!) e a SEMOB resolve realizar uma “repaginada” no monumento à imobilidade. Claro, como é local de muitos acidentes por seu projeto já mal executado anteriormente, necessita de uma adequação ao novo contingente de veículos que a cidade possui, além da tentativa de diminuir os acidentes.

Ledo engano: vamos entupi-lo de mais retornos, mais alças e mais faixas até que ele se torne tão confuso e emaranhado quanto um laço de fita! O que vinha pra melhorar, pode não ter surtido efeito, e até me arrisco dizer: foi um fiasco. Piorou e confundiu ainda mais um trecho já confuso.

Qual a solução? Ciclovias (Novamente, nos deparamos com o óbvio). E não só aos domingos, nem só nas primeiras horas da manhã: deve se tornar uma política de transporte que garanta a sustentabilidade que a capital tanta almeja, desde que entrou no Programa Cidades Sustentáveis. A bicicleta deve ser elevada a um papel de meio de transporte, e não ser subutilizada apenas como instrumento de lazer, como tem sido difundido pela prefeitura.

Mas enquanto ninguém promove a bicicleta à melhor amiga do transporte, fiquemos com nosso presente, nosso querido viaduto do Cristo Redentor: gostaram do laço de fita?

João Jales tem 29 anos, é redator, blogueiro, social media, produtor e estuda Comunicação na UFPB. Pessoense e raposeiro, consegue ser politizado sem ser politiqueiro.

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